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11/02/2013 22:48 - Atualizado em 11/02/2013 22:48

O preço da graça barata

Desde o primeiro pecado adâmico, o homem perdeu o desejo de voltar-se para Deus e agradá- Lo, mas corrompeu-se em seu coração e entendimento tão enormemente (Romanos 3.10-18) que somente buscará a Deus se Deus o buscar primeiro (João 6.65), a fi m de transformá-lo com profundidade tal que ele experimente um “novo nascimento”, possua uma “nova identidade”, seja uma “nova criatura” (2 Coríntios 5.17). Se um descrente pudesse se voltar para Deus sozinho, não estaria em verdade afastado dEle.

Não se alcança a graça divina por boa educação e bom comportamento. Basta uma rápida reflexão sobre diferentes culturas em diversos países para perceber que, apesar de haver lugares comuns em termos de “aceitável” e “inaceitável”, não existe um comportamento social uniformemente aceitável. A educação recebida por adultos e pela vida tende a produzir em nós uma habilidade em moldar máscaras sociais e esconder nossas intenções nas profundezas do coração humano, longe da censura social hodierna, em que condutas que realizem tais intenções são recriminadas. Assim, em verdade evitamos muitas ações repudiáveis por puro medo de sermos flagrados, surpreendidos, e não porque as repudiamos de fato (Romanos 7.19-20).

Graça, em linhas gerais e em definição já consagrada no meio cristão, é “favor imerecido”, bem de extremo valor que recebemos gratuitamente, sem possibilidade de ofertarmos nada em troca. Graça não tem preço, é um movimento autônomo e soberano de Deus em favor do homem, sem o qual ninguém se salvaria. O que significaria então a expressão “graça barata”, visto que o homem já recebe a graça divina imerecida e gratuitamente, sem a qual não seria salvo (Efésios 2.8-9)?

A graça, apesar de imerecida e gratuita, tem um valor inestimável. É, portanto, caríssima em valor. “Graça barata” seria, então, uma depreciação do que ela realmente significa. É leviana. É falsa. Banalizada. Ilusória. Não transforma. Não salva.

Quem defende a graça banalizada defende também a pregação do perdão banalizado, sem arrependimento eficaz, uma vez que os dois – graça e perdão – estão intrinsecamente ligados. É o batismo como merorito, em vez de ato público de confissão cristã; é a Ceia do Senhor comida e bebida indignamente, para a própria condenação pessoal, porque em verdade não conhece o Senhor. Na graça barata, não há discipulado, nem há cruz.

Não há Cristo. A graça barata não tem compromisso com Deus, mas rende ao homem a sensação de que pode ser quem sempre foi, cometer sempre os mesmos erros, porque Deus sempre estará ali, pronto para perdoá-lo. Assim, a graça barata não liberta de fato o homem do pecado; ele continua aprisionado em sua máscara, embora saiba que existe luz lá fora, da qual experimenta apenas um feixe.

A graça preciosa, verdadeira, caríssima, inestimável, é perfeita. Ela mostra ao homem seu verdadeiro refl exo, sua incapacidade de ser justo quando apenas consegue (isso quando consegue!) parecê-lo. A graça verdadeira conduz o homem ao arrependimento efi caz, de modo que ele jamais amará ou tentará justifi car seus erros de novo. A luz de Cristo deixa de ser mero feixe. A graça verdadeira opera o perdão de Deus, transforma o homem. E há de transformá-lo, de fato, sem dissimulações sociais ou coisa que o valha… Até o fim!

Márcio de Oliveira Ferreira (Extraído)

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